Algumas dores merecem ser vividas por inteiro.
HOMEM, PAI, MARIDO, PSICÓLOGO - PSICOTERAPIA - PSICOLOGIA TRANSPESSOAL - PROCESSO DE MEMÓRIA PROFUNDA - REGRESSÃO DE MEMÓRIA - PSICODRAMA - HIPNOSE - SOMATIC EXPERIENCING
Algumas dores merecem ser vividas por inteiro.
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César Fernandes
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Já ouvi dizer que para morrer, basta estar vivo. Já ouvi dizer que a vida é como a chama de uma vela...

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Cenas de um casamento - Blog da FLIP
escobri a psicanálise e logo depois o álcool. Na boemia, no tempo sem tempo da boemia, procurava aflitamente o Amor. Quebrei minha mão dando um soco na parede e fui à sessão de psicanálise tocar uma flauta de plástico que alguém me deu, com a mão engessada. Quero dizer que sofri muito. Na minha segunda separação sofri muito. Tinha três namoradas ao mesmo tempo, e brochava com as três. O nome dela era Leila. Em vez de tocar a flauta, fiz um filme, “Todas as Mulheres do Mundo”. Ninguém duvide disso: períodos de separação são em geral altamente produtivos. Minha terceira separação, Nazareth, eu tinha quarenta e poucos, sofri muito e não teve graça nenhuma. Eu estava sem dinheiro e vivia minha vida nos corredores dos bancos adiando promissórias, parcelando dívidas, movido por anfetaminas. Naquela época eram vendidas como remédio para emagrecer. Meu quarto casamento, Lenita, durou dez anos e tive uma filha. Maria Mariana. Na quarta separação tinha quase cinqüenta, tive poucas namoradas, poucas porém boas. Até que há vinte e oito anos, casei com Priscilla, adorável criatura que me acompanha até hoje. E lá pelo oitavo ou décimo ano de casamento, passamos um ano separados. Se eu tinha desarticulado na primeira, nessa ultima desagreguei, quero dizer, sofri muito. Mas sempre produtivamente. Essa experiência resultou num filme, “Separações”. Se eu cito esses dados biográficos nesta palestra, é apenas para tentar perceber o que há de comum entre essas cinco malditas porém necessárias passagens. Na verdade quase pode ser dito que todo homem solteiro quer casar assim como todo casado quer ficar solteiro. Não conheço nenhum casal decente que não nutra um sólido desejo de separação. Faz parte de um bom casamento, creio. Afinal, o amor tira a liberdade, sem dúvida. O que é inadmissível. E a solidão muita vezes é desagradabilíssima e vazia. Enfim, assim vamos todos, amando e desamando, carneirinhos a espera do corte. A pergunta que faço hoje em dia a respeito do assunto é sobre a possibilidade de amar, casar e separar sem sofrer. Muito me perguntei sobre o mistério da dor do amor. Para tentar entender a dor do amor existem três indagações sobre o amor, ele mesmo. Primeiro. Porque o amor (a paixão) acaba? Infinita enquanto dura, mas não dura. É por esquecimento de si mesmo? Porque, sendo explosão, com tempo se atenua? Porque, tendo dado ao amante sua chance de eternizar-se, não tem mais nada a fazer ali? A segunda indagação vai mais direto ao ponto: Porque dói tanto quando o amor acaba? Porque é tão triste? Porque é inaceitável? Nenhum raciocínio ou vivência autorizou a crença de sua perenidade? Porque afinal nos dilaceramos? Ah, a dor do amor. É mais que uma angústia. É uma febre, uma desidratação. Poucas coisas são tão tristes quanto o fim de um grande amor. Talvez nem o fim da vida seja tão triste. E o que dói? Onde dói? Dói por não ser mais o que era. Dói por tudo que poderia ser, se ainda fosse, mas não será jamais. Dói a perda da paixão, única moeda cósmica que temos a nossa disposição. Porém, acalmemos. Deve haver um motivo objetivo para tanta dor. Examinemos metodicamente uma a uma as perdas. O que se perde quando é perdido um amor? Talvez a moeda cósmica? Não, não deve ser isso. Todos os homens sofrem separações e nem todos se importam com o cosmos. A perda do objeto sexual? Também não deve ser isso. Há muitas Marias para cada João. Qualquer coisa ligada a ciúme de terceiros? Mas há separações que não envolvem terceiros, nem por isso deixam de ser sofridas. Tão pouco são razoáveis as explicações psicológicas, quebra da fantasia, falência de um investimento sentimental ou qualquer coisa desse tipo. Mas também não é isso. Homens maduros, estudiosos, que certamente ultrapassaram esse tipo de acontecimento psicológico também sofrem como cães envenenados. Aprofundemos essa espiral. Talvez o horror da solidão quando convivemos muito com a pessoa amada, perdemos totalmente a noção de como somos sós no mundo. Nossa íntima alegria ou dor é compartilhada, ganhamos um ouvinte interessado e perder isso, convenhamos, é perder muito. Talvez o medo da liberdade, citando Dostoievski, meu caro companheiro desde a adolescência, “Não há nada que o homem deseje mais do que a liberdade, nem nada que lhe seja tão doloroso”. Na terceira indagação sobre o amor pergunto se ele é necessário. Na pesquisa da verdade todas as hipóteses devem ser levantadas, mesmo as deselegantes. Existirá mesmo um grande homem só? Não será um homem um animal ou dois? Como intuía os antigos gregos, um ser cuja biológica natureza verdadeira é ser parte de uma unidade maior, chamada casal. Se a função da hipótese é responder paradoxos, esta é a meritosa, posto que pelo menos explica a dor do amor. Dói porque falta uma parte, tanto quanto doeria se nos arrancassem um braço ou um olho. Quando escrevi o roteiro do filme “Separações” eu tinha farto material a respeito. Tanto retirado da minha vivência quanto daquela dos amigos, mas não conseguia fechar a história. Somente pude fazê-lo quando lembrei da Kubler Roth(Elisabeth Kübler-Ross ) e de suas fases pelas quais obrigatoriamente passa um doente terminal. Quando reparei que elas podiam coincidir com as fases do meu herói ridículo num período de separação, o roteiro ficou resolvido. Somente é possível comparar a separação de dois amantes com a morte de um homem. No filme minha ordem é: a Negação (“Não! Não pode ser! É mentira, ela vai voltar. Foi uma briguinha à tôa.”), a Negociação (“Se ela voltar para mim eu paro de fumar, subo os degraus da Penha, nunca mais vou ser galinha”), a Revolta (“Quero te matar, sua puta!”) e a Aceitação, que é quando se arranja outra namorada. Ou então a mulher volta. Observe que tomei certas liberdades com a Kubler Roth. Inverto a ordem, que é: a Negação, a Revolta, a Negociação, a Depressão e a Aceitação. E dou por subentendida a fase da depressão. Bem, espero que quem não viu possa ver o filme. É muito engraçado ver aquele homem arrastando-se pelo chão, pagando todos os micos possíveis para recuperar a mulher amada. Hoje tenho 72 anos, continuo querendo me separar da Priscilla, e ela de mim naturalmente, posto que somos normais e tenho a impressão que poderíamos fazer isso alegremente sem nenhum ciúme e nenhuma dor. Tenho essa exata impressão e com a mesma convicção que não acredito absolutamente nela. Morro de medo de me separar da Priscilla. Creio, concluindo, que é uma questão genética. Há homens que nasceram para viver sozinhos, e certamente não sou um deles. A verdadeira arte de viver talvez seja tentar ser aquilo que você é. O que evidentemente é muito difícil. Me aguardem no meu próximo filme, é uma espécie de continuação de Separações. Acompanhando o casal, até digamos assim, o fim. Titulo: ‘Inseparáveis’.”
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Vão aí para você ler e tomar consciência: um prefácio do livro de Anna Salter PH. D. e outro excerto do livro de Chistiane Sanderson PH. D.
"... PREFÁCIO
Começo este prefácio da forma como o encerro: Obrigado, Anna Salter, por lançar sua luz plena de conhecimento sobre o abuso sexual enquanto a maioria das pessoas acha mais fácil desviar o olhar ou mesmo negar que ele existe. É mais fácil, para a maioria dos pais, entrelaçar as mãos se preocupando com o abusador desconhecido que pode estar vagando pela vizinhança, que aceitar que alguém que convidaram para sua casa está abusando sexualmente de seu filho ou filha - ainda que a maioria dos abusos sexuais seja cometida por alguém que a família conhece.
Tão difícil quanto aceitar a idéia de que um vizinho ou amigo da família a quem se quer bem possa estar abusando sexualmente de uma criança, é imaginar que quem faz isso é alguém dentro de sua própria família. É fácil substituir esse pensamento indesejado por um outro mais reconfortante, do tipo: "Na minha família, não".
No entanto, como uma a cada três garotas e um a cada seis meninos terão contato sexual com um adulto, isso deve estar ocorrendo na família de alguém. Onde quer que o abuso sexual ocorra, há pais ou pessoas encarregadas de cuidar da criança, incapazes de perceber o que ocorre e presenciando a atuação que precede o crime, escolhendo não enxergar claramente como os predadores convencem as crianças a acreditar neles. Pais ingênuos, com frequência, são co-conspiradores inconscientes em casos de abuso sexual, elaborando teorias para explicar o surgimento de distúrbios do sono, problemas na alimentação da criança ou um medo súbito em relação àquele mesmo adulto de quem ela gostava tanto há apenas uma semana.
Se uma discussão requer a exploração de verdades desagradáveis, alguns pais tentarão se esquivar: "Falar dessas coisas só vai atraí-las", ou "Sim, eu sei tudo sobre esse negócio; dá para falarmos de um assunto mais agradável?". No entanto, se pressionados, eles vão acabar por reconhecer os riscos, percebendo que dar a impressão que sabem é, com frequência, a melhor defesa contra um conhecimento indesejado. Esses pais não são estúpidos - pelo contrário, há uma inteligência nas maneiras criativas com que excluem seus filhos da discussão. "Você está muito certo", eles dizem: "O abuso sexual é um sério problema, em especial para os que estão no início da adolescência. Graças a Deus que os meus ainda não chegaram a essa idade".
Lamento, diz a realidade, mas a idade mais comum em que o abuso sexual começa é aos três anos.
"Bem, é claro, se você tem homossexuais por perto de crianças pequenas, existe um risco."
Lamento, diz a realidade, mas a maioria dos abusos sexuais é cometida por heterosessxuais do sexo masculino.
"Sim, mas esse tipo de pervertido não vive em nossa vizinhança".
Lamento, diz a realidade, mas esse tipo de pervertido está vivendo em nossa vizinhança. O Departamento de Justiça considera que, em média, há um abusador de crianças por milha quadrada nos Estados Unidos.
"Bem, pelos menos a polícia sabe quem são essas pessoas".
Provavelmente não, diz a realidade, já que em média os abusadores de crianças vitimam entre 50 e 150 crianças antes que sejam presos pela primeira vez (e muitas depois que eles o são).
Quando as defesas contra a realidade são descartadas, alguns pais mudam para a resignação, literalmente renunciando sua responsabilidade: "Bem, de qualquer forma, não há nada que se possa fazer a respeito". Esse fatalismo mal colocado realmente torna-se fatal para algumas crianças.
Outro refrão comum expresso pelos que negam os perigos do abuso sexual é: "Bem, as crianças têm uma grande capacidade de recuperação. Quando coisas ruins acontecem, elas superam isso".
De jeito nenhum, diz a realidade. As crianças não se recuperam. Elas ajustam, conciliam, reprimem e por vezes aceitam, seguem adiante, mas elas não se recuperam.
Se pareço ser duro com a negação, é porque tenho minhas razões, razões que me fazem ser grato ao fato de que as páginas de Predadores contêm um antídoto para a negação: informações bem pesquisadas e apresentadas de maneira clara. Aprendemos com Anna Salter que o agressor sexual também está em negação, que ele é um criminoso que escolhe ficar na estrada na qual se encontra, mesmo quando está claro para ele aonde essa estrada irá levá-lo. Salter entrevistou um número suficiente de agressores sexuais para descobrir a mais alarmante verdade: muitos se sentem indicados para cada prêmio predatório que possam ganhar simplesmente não se importam com custo para os outros. Eles são, numa palavra, cruéis.
E, virtualmente, para cada crueldade feita a uma criança, há uma platéia de pessoas que se negam a ver os sinais e rapidamente fecham o olhos.
A solução para a violência sexual na América não são mais leis, mais armas, mais polícia ou mais prisões. A solução para a violência sexual é a aceitação da realidade.
Uma das realidades mais duras é que os predadores sexuais são surpreendentemente eficazes em conquistar o controle sobre suas vítimas.
Há dois tipos básicos de predadores, o predador pela força e o predador pela persuasão. O primeiro avança como um urso, inequivocamente envolvido com seu ataque. Por causa disso, ele não pode bater em retirada facilmente e dizer que se trata apenas de um mal-entendido. Em consequência, ataca só quando tem certeza de que irá levar a melhor.
Um agressor muito mais comum é o predador pela persuasão. Esse tipo de criminoso procura uma vítima vulnerável, alguém que lhe permitirá ficar no controle. Como um tubarão cercando uma presa em potencial, o predador pela persuasão se aproxima lentamente e observa como as pessoas reagem a seus avanços. Ele começa um diálogo e, a cada resposta favorável que desperta, fecha mais o cerco. Faz um pequeno investimento inicial, uma estratégia de baixo risco que lhe permite testar as águas e seguir adiante sem ninguém perceber se as coisas não caminham direito. Ele é um covarde, astucioso, mas ainda assim um covarde.
A seleção das vítimas do predador pode ser tão complexa e inexplicável como atração sexual é para os adultos, com uma importante distinção: para a maioria dos pedófilos, a vulnerabilidade é, em si, estimulante. Tal como ocorre com os animais, os predadores humanos têm de separar seus alvos do rebanho. Tirar as crianças dos pais é algo que raramente fazem pela força; os pequenos não são roubados sob a mira de uma arma. Eles são levados por meio de uma forma de sedução, que visa não à paixão, mas a confiança - sua ou de seu filho. A confiança mal direcionada é o recurso mais poderoso do predador e podemos decidir dá-la ou não a ele.
A confiança mal posicionada pode ter terríveis consequências. Adicionalmente ao que em geral consideramos abuso sexual, as crianças são vítimas de estupro com muito mais frequência do que a maioria de nós jamais imaginou. O Departamento de Estatísticas Judiciais dos EUA relata que um total de 15% de vítimas de estupro estão abaixo dos 12 anos de idade.
Uma mãe chamada Carla me contou que levou a filha de seis anos de idade para um pequeno playground cercado no parque local. A maioria das crianças lá estava acompanhada pelo pai ou pela mãe, algumas por babás, uma por um avô. Após certo tempo, Carla tinha intuitivamente relacionado cada criança com a pessoa que estava tomando conta dela. Num caso, era porque eles se pareciam entre si; em outro, ela viu uma criança sair correndo e dizer alguma coisa a um adulto. Ela ouviu um homem gritar uma palavra de estímulo para um garoto que estava hesitante no alto de um escorregador. Logo ela tinha identificado cada adulto no playground, mas houve um homem de quem ela não gostou.
Ele estava sentando num banco observando as crianças brincarem, mas não estava concentrado em nenhuma criança em particular. Não carregava nada consigo, enquanto a maioria dos adultos tinha alguma coisa na qual estavam de olho: uma boneca, um brinquedo, um carrinho de bebê com um cobertor sobre o assento. Quando Carla viu o homem deixar o playground, ela pensou: Eu não confio nele. O que será que ele estava fazendo aqui? Estou feliz que ele tenha ido embora. Vou ficar atenta a ele no futuro. Ele me pareceu um abusador de crianças.
Parecia um abusador de crianças? Baseado em quê? Alguém poderia considerar isso uma condenação ultrajante e imerecida, uma discriminação tão intolerante que seria ilegal em qualquer outro contexto. Quando o homem voltou ao playground alguns minutos depois e Carla viu o filho dele correr e abraçá-lo (ela erradamente associara aquele garoto a um outro adulto), ela rapidamente perdoou seu próprio preconceito. Afinal de contas, disse-me ela depois, "eu só estava protegendo minha filha".
Perguntei se ela tinha se sentido mal por ter acusado falsamente o homem em seu pensamento. De forma alguma. A experiência fez com que ela se tornasse relutante em julgar alguém apressadamente no futuro? De forma alguma. Mesmo que no final ele tenha visto que ele era apenas um outro pai, ela tinha lamentado sua suspeita? De forma alguma.
Depois de elogiar sua auto confiança, comentei: "Para realmente proteger sua filha, você precisaria ter a mesma disposição para alimentar suspeitas em relação a pessoas que você conhece".
"Não é assim tão fácil", Carla respondeu, "porque nesse caso eu me sentiria terrivelmente culpada".
Essa espécie de culpa mal colocada é problemática porque uma criança é muito mais vulnerável a alguém que a família conhece que a um estranho. E Carla, como qualquer mãe ou pai, é muito mais resistente a suspeitar de alguém que ele conhece. As pessoas de quem nós voluntariamente suspeitamos são inerentemente menos perigosas que aquelas de quem nos recusamos suspeitar. Tendemos a suprimir pensamentos censuráveis sobre nossos amigos, mas a melhor maneira de banir um pensamento é examiná-lo por completo. De fato, tratamos nossos amigos com mais respeito e nossa crianças com mais amor quando estamos desejando cogitar - e, esperançosamente, rejeitar - a possibilidade de que pessoas próximas a nós possam ser capazes de praticar abuso sexual.
Minha opinião é que você não tem de desconfiar de um homem ou um adolescente simplesmente porque ele tem acesso a seus filhos, mas que você precisa estar predisposto a confiar em sua intuição quando suspeita de algo. Acima de tudo, encorajo os pais a fazer escolhas demoradas e cuidadosas em relação às pessoas que incluem na vida de seus filhos - e escolhas rápidas sobre as pessoas que escluem. É uma característica de nossa espécie que alguns adultos do sexo masculino abusam de crianças. Esperar que esse homens em particular pareçam claramente diferentes de todos os outros tem comprovado ser uma estratégia ineficaz para prevenir abusos sexuais. Popular, mas ineficaz.
Quando se trata de segurança da criança, concluí que a diferença primeira entre pais e especialistas é que os pais dizem "Eu acho" com mais frequência - como na frase "Eu acho que esses abusadores vagueiam em lugares frequentados por crianças". E os pais finalizam sua afirmações com perguntas indutoras: "Crianças são menos vulneráveis em pares, certo?" Tendo em vista que as informações permanecem praticamente as mesmas, não importa quem as ofereça, mostro, sempre que possível, que o que as pessoas acham que pode ser a resposta é, de fato, exatamente o que em geral acaba sendo. Lembro o caso de uma mãe que me perguntou como identificar os sentimentos de abuso sexual infantil.
Respondi com uma pergunta: "Quais você acha que são os sinais?".
"Eu não sei."
"Se você pudesse saber a resposta, qual acha que ela seria?" (Isso quase sempre sussita uma resposta vinda exatamente da pessoa que acabou de dizer que não sabia.)
"Bem, acho que problemas de sono. Talvez as mudanças de comportamento da criança ... Mas, fora isso, não sei nada."
"Você quer dizer que, além de saber, você não sabe?"
"Eu não sei."
"Se você pudesse saber, que outros sinais poderia haver?"
"Agir de uma forma meio sexual com outras crianças? Fazer desenhos relativos a sexo? Fazer coisas sexuais? Eu não sei."
Certo em todos os pontos, é claro. Se você acrescentar hiparatividade, medo de ficar sozinho com certos adultos, interesse incomum e exagerado pelo corpo das pessoas, uso de uma quantidade excessiva de roupas, você terá vários sinais comportamentais mais comuns.
Muitas vezes o corpo de uma criança irá dizer claramente o que aconteceu, e essas dicas são mais difíceis de passarem despercebidas. Esta lista conta a história de uma forma tão dura que lê-la vai magoar seu coração:
* Dores de estômago e problemas digestivos;
* Dificuldades para caminhar ou sentar;
* Roupas de baixo rasgadas, manchadas ou com marcas de sangue;
* Sangue na urina ou nas fezes;
* Contusões genitais inexplicadas;
* Doenças sexualmente transmissíveis;
* Gravidez.
Listas como essas contribuem para fazer deste um tópico sobre o qual ninguém realmente quer pensar a respeito. Consequentemente, muitos poucos pais costumam pensar sobre isso, enquanto muitos predadores aperfeiçoam suas abilidades.
Além da negação de alguns pais, os predadores são ajudados por diversos fatores sociais em evolução. Muitas mães trabalham, portanto muitas crianças passam seus dias em creches. Os divórcios estão aumentando e o crescente número de novos casamentos significa mais abuso sexual por padrastos no lar. Pesquisas mostraram que há muito mais probabilidade de namorados ou padrastos abusarem de uma criança do que o pai biológico. Crimes sexuais contra crianças tembém aumentam à medida que as vítimas de abuso crescem e se tornam elas próprias abusadores. Finalmente, considerando-se que a maioria dos predadores abusa de muitas crianças, o número de vítimas cresce exponencialmente.
Predadores fornece aos pais e educadores o melhor tipo defesa contra agressores sexuais: o conhecimento. No interesse de todas as crianças e adultos que, por causa deste livro, nunca irão se tornar vítimas de forma alguma, eu gostaria de dizer: "Obrigado, Anna Salter".
Gavin Backer ..."
AIS, de Chistiane Sanderson. Um livro que pelo menos toda escola deveria ter para que os professores pudessem ter condição de perceber e tomar atitudes para disparar processos que desvelem e mudem de direção vidas de grande dor.O pedófilo pode ser qualquer pessoa - homens ou mulheres, adultos ou crianças mais velhas. Pode ser um dos pais, um parente, um vizinho, um amigo de família, um professor ou médico. Em muitos aspectos, abusadores sexuais de crianças são pessoas comuns que as crianças encontram em sua vida cotidiana. Eles provêm de quaisquer antecedentes sociais, raciais ou religiosos e, muitas vezes, são membros bem respeitados da sociedade e da comunidade. Eles mantêm empregos, praticam esportes, têm amigos e são vistos como pessoas "simpáticas". Embora a maioria dos pedófilos se encaixe nesses parâmetros, alguns podem não se encaixar.
Dados se pesquisa sobre perpetradores do abuso sexual em crianças variam enormemente, uma vez que a maioria (90%) permanece não detectada. Estudos iniciais mostravam que entre 91% e 97% do perpetradores eram homens. No entanto, pesquisas mais recentes descobriram que entre 20% e 25% dos abusadores sexuais de crianças eram mulheres. Há certa controvérsia em torno disso, pois muitas feministas acreditam que a maioria das abusadoras pratica o abuso porque são forçadas ou coagidas a esses atos por seur parceiros homens. A pesquisa atual não confirma esse fato (Saradjian, 1996). Alguns homens podem ter forçado inicialmente algumas mulheres a praticar o abuso, mas muitas o fazem de maneira independente ou tomam a iniciativa do abuso sexual. ..."
..."Não podemos mais nos permitir negar a natureza obscura do abuso sexual em crianças ou enganar a nós mesmos quanto a isso. Apesar de as estatísticas do Ministério do Interior (2003) mostrarem que atualmente há 21.413 criminosos sexuais no Registro de Criminosos Sexuais (do Reino Unido), que vivem em comunidades, essa não é uma indicação verdadeira do número de pedófilos condenados. McVean (2003) afirma que há 110 mil pedófilos condenados fora do registro, porém o número mais preciso e verdadeiro pode chegar a 250 mil. A verdade preocupante é que não sabemos quem é a maioria dos abusadores sexuais de crianças porque o abuso ocorre às escondidas. Dado que a maioria dos pedófilos não foi exposta, condenada e colocada no Registro de Criminosos Sexuais, é preciso se perguntar quão útil é esse registro. Esse registro pode até fornecer algum conforto para pais e para aqueles envolvidos com a proteção à criança, mas é evidente que ele não inclui todos os pedófilos.
Por esse motivo, se quisermos realmente proteger nossas crianças, igual atenção deve ser dada aos pedófilos ainda desconhecidos, cujos crimes sexuais nem foram descobertos. Pode-se argumentar, de maneira razoável, que o perigo da pedofilia desconhecida é muito maior do que o da pedofilia daqueles que já estão no Registro de Criminosos Sexuais. Contar apenas com esse registro e concentrar a atenção apenas naqueles pedófilos mais conhecidos da polícia é ignorar a realidade do abuso sexual em crianças no dia-a-dia. Pais, professores e adultos responsáveis precisam estar alerta aos pedófilos ainda desconhecidos na comunidade se quiserem de fato proteger todas as crianças do abuso sexual...."
..."Embora existam diferentes tipos de pedófilos, há, entre eles, muitos pontos em comum. A maioria deles mostra muita habilidade em idenficar vítimas vulneráveis, que são escolhidas como alvo. Essa habilidade é até certo ponto intuitiva, mas também vem da prática e da experiência. Eles têm facilidade em identificar-se com crianças, mais do que muitos adultos, e, ainda, têm um interesse excessivo em crianças - embora isso nem sempre seja manifestado de maneira evidente. Eles podem buscar ativamente empregos nos quais tenham contato frequente e regular com crianças. As profissões escolhidas podem incluir professores, funcionários de orfanato ou creches, babás, monitores de acampamentos ou motoristas de ônibus escolares. Eles também podem estar envolvidos em trabalhos especializados nos quais tenham acesso a crianças, como médicos, dentistas, líderes religiosos, assistentes sociais, policiais, treinadores de esporte, líderes de escoteiros ou integrantes de clubes para jovens, palhaços, mágicos ou fotógrafos especializados em fotografia infantil.
É comum abusadores sexuais de crianças se reunirem em lugares frequentados por elas, como lojas de brinquedos ou de roupas infanto-juvenis, parques, campos de esporte, piscinas, shopping centers ou parques temáticos. Eles, em geral, são vistos como "gentis" para as crianças e gostam de entretê-las, organizar festas infantis, levá-las a passeios ou mesmo em curtas viagens no final de semana. Têm uma enorme capacidade de atrair crianças e, em muitos aspectos, são como "flautistas de Hamelin". Eles fazem de tudo para ficar a sós com as crianças, sugerindo que os adultos saiam para se divertir tranquilos enquanto eles cuidam de seus filhos.
A maioria do pedófilos é habilidosa em manipular crianças e usar técnicas de sedução poderosas, incluindo psicologia infantil e de grupo, as quais envolvem competição entre colegas, pressão e técnicas motivacionais, bem como ameaças e chantagens. Uma técnica comum para seduzir a criança é dar a ela uma atenção "especial" ou adicional. Eles seduzem a criança tornando-se amigos dela, prestando-lhe uma atenção especial, conversando com ela e ouvindo-a falar sobre as preocupações ou interesses que possa ter. Eles gostam de passar o tempo com a criança e são sempre atenciosos e afetuosos. Podem, aida, dar um tratamento preferencial à criança, comprar-lhe presentes ou satisfazer uma necessidade particular dela. Esses comportamentos são todos projetados para isolar a criança dos colegas, o que tornará o abuso sexual mais fáci.
Os pedófilos compartilham passatempos e interesses ligados às crianças. Eles podem colecionar brinquedos ou bonecas e montar peças, modelos de aviões ou navios-todos projetados para atrair as crianças para junto deles. Com frequência, conhecem os jogos de computador, música, vídeos e filmes mais recentes nos quais as crianças estão interessadas. Também conhecem a linguagem e a gíria atual que as crianças usam e parecem gostar da mesma comida, bebida, decoração de interiores e roupas. Eles se apresentam como sendo amigáveis para a criança, de maneira que essa comece a vê-los como um amigo mais velho, com quem possa conversar e passar bons momentos...."
Ao aliciar uma criança e sua família, os pedófilos demonstram ter muita paciência, mesmo quando esse processo dura semanas, meses e até anos. O processo de aliciamento é uma forma sutil de manipulação de ou sedução emocional, que se baseia em laços de amizade e intimidade que vão sendo construídos com a criança e com os pais dela. Os pedófilos investem uma quantidade considerável de energia e tempo para desenvolver habilidades associadas à manipulação, pois, quanto melhores forem em aliciar, mais acessíveis serão as crianças e menores as chances de ser descobertos. Eles são muito hábeis em enganar as pessoas e melhoram suas habilidades com a prática e a troca de conhecimentos com outros pedófilos.
Lembre-se de que os pedófilos são predadores sexuais disfarçados de homens gentis, ou seja, lobos em pele de cordeiro. Eles têm o maior interesse em parecer normais e simpáticos e, então, se misturam ao contexto para evitar suspeitas. Como Ray Wyre nos lembra: "Monstros não se aproximam de crianças; homens gentis, sim...", os pedófilos precisam esconder o qu realmente são - predadores, dissimulados, enganadores, manipuladores, metódicos e controladores. Para esconder tudo isso, eles lançam mão de uma gama de habilidades a fim de obterem sucesso em aliciar crianças e pais e ainda evitarem ser descobertos. Para aliciar as crianças, os pedófilos fingem ser:
*charmosos;
*simpáticos;
*compreensivos;
*úteis;
*generosos com tempo, dinheiro, presentes e agrados;
*atenciosos;
*afetivos;
*disponíveis emocionalmente; e
*voltados para crianças e amigáveis com elas. ..."
Muita ênfase tem sido dada à maneira como os pedófilos escolhem e aliciam crianças, e pouca atenção tem sido dirigida ao modo como os pais são aliciados pelo pedófilo para poder ter acesso aos filhos. Está claro, a partir de dados estatísticos, que não é mais suficiente advertir as crianças sobre "o perigo do estranho", uma vez que a maioria dos ASC (87%) é cometida por alguém "conhecido" da criança. Na maioria dos casos, os pais e os professores também os conhecem. Como descrito no Capítulo 4, os abusadores sexuais de crianças são, em geral, membros da comunidade local, e não necessarimente forasteiros.
Eles podem ser membros da família nuclear ou da família ampliada da criança, podem ser vizinhos, conhecidos, figuras de respeitada autoridade na vida da criança - como professores ou funcionários da escola, professores de música ou treinadores esportivos, líderes de grupos de jovens, pessoas que cuidam de crianças ou estão envolvidas em sua atividades locais. Em geral, os pedófilos são atraídos para lugares, profissões e atividades que lhes permitem ter fácil acesso às crianças. Ao estarem perto de crianças e envolvidos em uma variedade de atividades com elas, eles passam a impressão de que são seus "conhecidos". ..."
..." Quando a primeira atividade sexual abusiva ocorrer, tanto os pais quanto a criança terão "caído" por completo na fraude do abusador, sem terem a mínima idéia de sua intenção de abusar sexualmente da criança. Então, a confiança e a amizade estão de tal forma misturadas que, ao descobrirem o problema, muitos pais reagem com um forte sentimento de choque, surpresa ou descrença. Mesmo na presença de provas inquestionáveis, ainda acham difícil acreditar e não conseguem entender como chegaram a esse ponto. Eles podem ficar arrasados sentindo-se culpados por não terem percebido que estavam sendo ludibriados e iludidos.
Assim, os pais são igualmente vulneráveis a serem aliciados e manipulados por abusadores sexuais de crianças, com pouca percepção do que está acontecendo. Então, como os pais podem saber que alguém que conhecem e em quem confiam não têm motivações dissimuladas ou intenções de abusar sexualmente de seu filho ou de sua filha? Não há respostas ou soluções simples para isso, a não ser a percepção da forma como interagem com seu filho ou sua filha, especialmente quando não há adultos por perto, e um diálogo aberto com seus filhos sobre o tempo que passam com esse amigo especial. ..."
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César Fernandes
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“Não sou um ser humano passando por uma experiência espiritual...
Sou um ser espiritual passando por uma experiência humana”...
Que o
caminho seja brando aos teus pés;
Que o vento sopre leve em teus
ombros;
Que o sol brilhe cálido em tua face;
Que as chuvas caiam
serenas em teus campos;
E, até que eu de novo te veja;
Que os
Deuses te carreguem nas palmas das mãos!